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Crítica a "Cinderella"

el  Sunday, 03 May 2015 13:00 Written by 

Tal como um sapato de vidro é frágil, mas surpreendentemente confortável.

Os regressos da Disney ao seu legado são sempre um risco. Estas reimaginações das princesas em imagem real têm corrido bem, mas como todos sabemos, basta uma falhar e é o fim do filão. “Cinderella” foi das mais invulgares escolhas pois, recordando a animação de forma minimalista, o maior vilão é o gato e o maior feito da heroína é perder um sapato no sítio certo. Kenneth Branagh não parecia de todo a escolha certa para realizar, filmes com argumentos de Chris Weitz costumam ter maus resultados, e apesar de ter enormes actrizes como Cate Blanchett e Helena Bonham Carter, o protagonismo era de Lily James, uma cara da televisão quase desconhecida no mundo do cinema. Mas o mais assustador era a acessibilidade do filme classificado como Maiores de 6. Quanto mais adequado for para crianças, pior é para adultos. A única coisa que me restava era a confiança na marca Disney e, felizmente, isso bastou.

Nesta nova visão sobre o conto de Cinderella, vamos ouvir a história do início. Como Ella nasceu a um casal feliz. Como perdeu a mãe ainda jovem e o pai tentou reencontrar a felicidade voltando a casar. E como perdeu também o pai, levando ao desgosto de Ella, a ruína da família e a um ainda maior descontentamento da madrasta e das suas filhas mimadas. O que se passa depois já todos sabemos, este bocado é que é mais fascinante. Tal como em “Maleficent”, a Disney aposta em mostrar o início da história, momentos breves de felicidade que são seguidos por uma tragédia, a que se segue um breve e passageiro conformismo, para depois vir nova tragédia e nova felicidade. Esta montanha-russa de emoções na altura em que as animações foram feitas seria talvez demasiado violenta para as crianças. Hoje em dia já trazem uma bagagem considerável e aguentam mais, permitindo aos argumentistas serem mais ousados e criarem personagens mais completas. Sendo os animais falantes quase uma obrigatoriedade nas animações Disney, foi muito curiosa a adaptação dos ratinhos para serem os parceiros no crime de Ella sem recorrerem à voz e sem cantarem alegremente. A entrada em cena de Lucifer causou os arrepios de antigamente, e o olhar de Cate Blanchett é tão mortífero como nos pesadelos que devem ter tido com a madrasta animada. A fada-madrinha foi uma pequena desilusão. A narradora a explicar demasiado tira mérito ao filme (ainda que no final dos créditos tenha piada) e a breve presença sabe a pouco. A transformação da abóbora e dos animais (a inteligente troca para lagartos permitiu mais algumas brincadeiras) estava fabulosa, mas faltou aquele momento "Bibbidi Bobbidi Boo". Já a luta pelo sapato atinge toda uma nova dimensão em comparação com o que conheciamos, dando mais realismo à história.

No geral foi um filme fácil de ver que surpreendentemente agradará mais aos adultos pelas memórias do que aos pequenos que estão a ver pela primeira, mas sem afastar ninguém. Lily James convence como Ella e os valores que lhe são deixados pelo pai de coragem e bondade aplicam-se perfeitamente aos nossos dias. Sem ser uma obra de arte imperdível, é uma experiência satisfatória.

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