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Finalmente, o tão aguardado, regresso de Ridley Scott ao Universo de Alien chega às salas de cinema. Em 1979 Alien lançava o medo em todo o mundo com a sua tag--line: "In Space No One Can Ear You Scream". Todo o sucesso deste filme, e das suas 3 sequelas (o sucesso das sequelas é discutível e dependente do gosto do espectador), deixava um óbvio peso sobre os ombros de Ridley, que o próprio pareceu suportar com facilidade. Assim, a expectativa sobre Prometheus era grande. No entanto, tudo aquilo que Prometheus prometia ser não o foi e, infelizmente, não conseguiu corresponder as expectativas nem alcançar o patamar de Alien.

As comparações com Alien, dada a estética, mitologia e época que se cruzam entre as iconografias dos dois filmes, são inevitáveis. No entanto há que tentar evitá-las ao máximo, para benefício do filme mais recente. Prometheus segue um grupo de investigadores e respectiva equipa numa viagem pelo lado mais negro do universo em busca das origens da humanindade. Ainda que a história de Prometheus possa fazer alguns fãs torcer o nariz dada a megalómana ideologia em que se baseia (a procura pelos "criadores" da raça humana, a busca pela natureza dos deuses, etc.), esta é eficaz na sua ambiência (ainda que esta seja bem diferente da claustrofóbica e aterradora vista em Alien). O design de guarda-roupa, toda a decoração artística, bem como efeitos especiais são exímios. Quase ao ponto de ultrapassar Alien se não fosse pelo facto de que a caracterização de Guy Pearce enquanto velho Peter Weyland deixa bastante a desejar.

No entanto não é só na temática que a história fará os espectadores torcer o nariz: o próprio desenvolvimento das acções, as personagens e os eventos que ligam ambas as partes não são convincentes. As personagens são demasiadas e não só não há tempo para as conhecer todas (bem como as suas inter-relações) como não há interesse. Enquanto Alien possuía uma equipa com 7 membros, em Prometheus temos 17 e, não as conhecendo a todas, metade das que nos são apresentadas não apresentam provas reais da sua vitalidade e verdadeira necessidade para a conclusão da expedição. Felizmente para nos distrair da contestável escolha das personagens, bem como da aleatoriedade das escolhas de casting, existem os magníficos Michael Fassbender, Noomi Rapace e, uma apagada, Charlize Theron que nos apresentam performances de qualidade.

Quanto ao natural decorrer dos eventos, basta-nos referir que Prometheus é exímio em levantar questões. Como tal, grande parte das decisões, diálogos e acções podem ser contestados com simples perguntas. As paródias pela Internet já são vastas (SPOILER ALERT: Red Letter Media talks about Prometheus), da mesma forma que também o são as especulações e interpretações das mesmas (SPOILER ALERT: Answers to the Most Popular "Prometheus" Questions).

Felizmente, algumas das principais perguntas que poderiam surgir sobre Prometheus após a visualização dos trailers foram respondidas por uma magnífica campanha de marketing viral. Nesta campanha pudemos ver dois promos: um contendo Peter Weyland (Guy Pearce) a falar numa conferência de TED (conferências que reunem pessoas das áreas de Tecnologia, Entretenimento e Design) e o outro apresentando DAVID (Michael Fassbender) como a nova gama de robots. Estas duas peças de campanha, foram exímias em, não só captar a curiosidade do espectador, como também fornecer um perfeito background para parte da história, sem nunca referir directamente o nome do filme.

Prometheus não vai agradar a toda a gente. Mas, apesar de não ser nenhuma obra-prima de ficção científica, comparável a trabalhos anteriores de Ridley, é uma obra sólida que, apesar das suas falhas, consegue ser autónoma de Alien (ou mesmo de toda a saga) e por isso, merece todo o seu valor.
 

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