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Crítica a "Into the Woods"

el  Sunday, 19 April 2015 16:00 Written by 

O musical de contos de fadas que foi demasiado grande para sair do chão.

A Disney tem créditos no que diz respeito a contos de fadas e musicais. Em especial quando os tira da zona convencional como em “Enchanted”. Com as adaptações de “Chicago” e “Nine” Rob Marshall marcou uma posição no território dos musicais para cinema. A parceria de ambos na saga Piratas das Caraíbas não correu mal e sendo reforçada com estrelas de reconhecidos dotes musicais como as estrelas de “Mamma Mia!”, “Chicago”, “Pitch Perfect”, “Sweeney Todd”, “Les Miserables”, “Begin Again” e “Annie” (Broadway 2012, não o filme 2014) entre muitos outros, como se podia esperar algo menos do que a perfeição? Pois a verdade é que esta história monumental e repleta de personagens, não precisava de estrelas, precisava de consistência.

Estamos perante um cruzamento de história conhecidas de todos nós. Temos o miúdo que troca a vaca por uns feijões, temos a miúda que vai visitar a avó, temos uma rapariga presa na torre só com uma janela, temos outra que só pode ficar na festa até às doze badaladas, e temos uma bruxa má que amaldiçoou o vizinho padeiro e o manda numa missão invulgar para recuperar a capacidade de gerar filhos. Como é que todas estas histórias se cruzam? Incrivelmente bem, ao contrário o que seria de esperar. Sem dar um protagonismo claro a ninguém, as histórias vão tendo lugar entrelaçadas. Enquanto isso, todos cantam e os jovens casadoiros procuram o seu único e verdadeiro amor.

A adaptação da peça dos anos 80 para o cinema foi Disneyficada com alterações na banda sonora e menos mortes. De resto manteve-se semelhante até porque os autores originais James Lapine e Stephen Sondheim tinham bastante controlo sobre o argumento e a banda sonora. A primeira hora do filme é harmoniosa, divertida, um pouco pateta, mas muito fácil de ver. Chega ao fim com todos juntos e felizes para... Não é para sempre. Num twist inesperado, o seu mundo perfeito é atacado e terão de formar novas e inesperadas alianças para resolverem a situação. Essa segunda hora de uma perspectiva musical estará melhor conseguida, mas a narrativa em tons dramáticos perde qualidade, alheia o público mais infantil e extremiza o distanciamento em relação aos contos de fadas. Numa altura em que o público está mais cansado, não se deve puxar tanto por ele. Ainda que os dotes musicais dos intérpretes não possam ser criticados, a pós-produção do som é demasiado evidente. Isso impede a associação emocional à música que tornaria tudo mais fácil.

O maior defeito desta adaptação foi a falta de entrosamento que no palco seria ganha em semanas ou meses. As constantes trocas dos interlocutores em cena precisavam de mais tempo para ganharem naturalidade. Quando há protagonistas claros é mais fácil. Aqui, com boas cenas para vários actores, milhões de espectadores terão algumas das suas estrelas preferidas nesta aparente grande produção de orçamento modesto, mas é unânime que ainda não foi desta que “Into the Woods” deu o passo definitivo para o grande ecrã. E depois disto, ninguém tentará tão cedo.

Mesmo sendo um vistoso espectáculo para crianças com elementos de terror, quem mais disfrutará talvez até sejam os crescidos fãs do “Doctor Who” (de Matt Smith) que verão na personagem de  James Corden várias referências à série britânica onde apareceu fugazmente, desde o cachecol até algumas falas.

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