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Tim Burton regressa com uma magnifica comédia em tons negros (como apenas ele sabe e consegue fazer), onde vampiros, bruxas e humanos disfuncionais se cruzam numa pequena cidade americana dos anos 70. Possivelmente um dos mais coloridos "negros" filmes de Burton, "Dark Shadows" conta com Johnny Depp, Eva Green, Michelle Pfeiffer, Chloe Moretz, Helena Bonham Carter, Jackie Earle Haley, Gulliver McGrath, Jonny Lee Miller, Bella Heathcote e ainda Christopher Lee e Alice Cooper num magnífico elenco.

"Dark Shadows", conta-nos a história de Barnabas Collins (Johnny Depp) que, após quebrar o coração a Angelique Bouchard (Eva Green), se vê transformado, por ela, num vampiro. Como se tal castigo não bastasse é ainda condenado a uma eternidade de escuridão aprisionado num caixão e enterrado vários palmos debaixo de terra. (In)felizmente, como já nem para os vampiros tudo é eterno, a sua estadia reduz-se a uns míseros duzentos anos, quando uma equipa de construção abre acidentalmente o seu caixão. Acordando num novo século Barnabas regressa à imponente mansão da sua família, apenas para descobrir os seus estranhos descendentes. Para seu azar, Angelique continua viva e é a principal opositora ao sucesso do negócio da família Collins. Motivado pela vingança e pelo apreço à família, Barnabas aliado aos seus descendentes, confronta Angelique na tentativa de fazer jus ao seu nome e à sua livre vontade.

Esta história, de certa forma simplista, é exímia na forma como concretiza os seus gags. Adicionalmente, as referências culturais aos anos 70, especialmente as musicais, são hilariantes e é no contraste cultural entre Barnabas, os seus descendentes e esta nova era que se encontra grande parte do humor do filme. No entanto, este não se deixa cair no facilitismo do gag físico, mantendo-se inteligente, rápido e assertivo. Naturalmente, grande parte dos contrastes resultam do trabalho da panóplia de actores que preenchem os créditos deste filme. Depp e Green sobressaem, não só pelo "tempo de antena" que lhes é dedicado, mas também pelos trejeitos com que inundam as suas performances. Enquanto de Depp não se esperava nada menos que isto, um vampiro místico, sensual, mordaz e sensível; de Green fica-se boquiaberto, pois a sua actuação é fresca, sexy e exuberante. Infelizmente, e talvez seja neste ponto que toda a história e o próprio filme peca, a atenção dedicada às restantes personagens não é suficiente, fazendo com que a história de Vicky (Heathcote) ou mesmo de Roger e David Collins (Miller e McGrath, respectivamente) passem despercebidas ou mesmo despropositadas da restante trama. Por outro lado, somos facilmente distraídos pelas performances de Earl Hickey enquanto Willie Loomis, de Chloe Moretz como Carolyn Stoddard e de Dra. Julia Hoffman de Helena Bonham Carter; que aproveitam cada segundo de tela para lançar todas as suas cartas, mostrando ser das personagens secundárias, aquelas com maior dimensão e profundidade.

Tal como em qualquer outro filme de Burton, a sua estética é, em grande parte, alicerçada no mood criado pela união entre a direcção artística e a música (do já habitual Danny Elfman). Contudo, a natureza deste filme levou a uma utilização exagerada (com desfecho positivo) de certos posicionamentos de câmara, dignos de um filme de terror de série B. Não é por acaso que uma das cenas deste filme conta com mais mortes por segundo que qualquer slasher de qualidade (não entrando em mais detalhes para não causar ofensivos spoilers).

Apesar das suas quase duas horas de duração, o ritmo do filme, bem como a quantidade de interações entre as múltiplas personagens impedem o espectador de se distrair: a narrativa flui naturalmente e de forma encantadora. Apesar do seu final bastante tropeço, é por mera sorte que o filme não cai do penhasco tornando-se num legado lamechas digno da saga Twilight. Valha-nos as imagens habilmente construídas fora de cliches de Barnabas, Angelique, Willie Loomis, Carolyn Stoddard, Dra. Julia Hoffman, que nos fazem elipsar da memória este pequeno e último incidente.

Confesso que mais meia hora não traria mal nenhum à história e mais concretamente às personagens mais apagadas, contudo compreendo as consequências na distribuição e mesmo no apelo ao público que tal decisão traria. No entanto, ficamos sempre com esta vontade de querer ver mais do filme, por maior que viesse a ser a sua duração.

Esta comédia fantasiosa é uma divertidíssima ode à série original que promete, sobretudo, não desiludir fãs de Tim Burton, assim como atrair os mais acérrimos entusiastas do terror e ainda conquistar mais alguns corações com as suas referências musicais. Não deixem que o péssimo título traduzido "Sombras da Escuridão" vos assuste e vão ver "Dark Shadows" que estreia dia 10 de Maio de 2012.

 

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