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Crítica a "How I Live Now"

el  Sunday, 15 February 2015 20:00 Written by 

Uma surpresa para ver com calma.

Convém que vejam o filme sem verem trailers ou qualquer informação sobre ele. Se está a ser referido neste espaço é de género fantástico. Não precisam de saber mais nada e já sabem demasiado. É melhor que se deixem surpreender totalmente.

Há uma fase muito complicada da vida chamada adolescência. É quando supostamente as crianças se tornam adultas e, divididas entre dois mundos, se sentem revoltadas contra ambos. É o caso de Daisy, uma jovem americana que, por sugestão/imposição do pai vai conhecer a família do lado materno. A mãe era britânica e a viagem transatlântica para uma quinta longe de qualquer loja ou tecnologia deixa-a mal disposta com a vida e os primos que, apesar de tudo, estão a fazer o seu melhor para a fazerem sentir-se integrada. A conversa com a tia e saber coisas sobre a mãe deixa-a um pouco mais razoável, mas nada a prepararia para o que se seguiria.

Sem entrar em detalhes perigosos, quem está acostumado a uma Saoirse Rohan que interpreta sempre personagens frágeis e inseguras, mesmo que por vezes seja uma assassina treinada, aqui terá uma surpresa desde o primeiro minuto. A sua atitude dá um arranque inesperado ao filme que nos alerta para algo fora do comum. Não é que o tema seja novo, apenas a forma como foi abordado. Vai ser uma odisseia de emoções e auto-descoberta numa sociedade que desconhecia. É uma história de decisões erradas, de sobrevivência, de confiança e de humanidade. É acima de tudo uma história sobre esperança.

Do ponto de vista técnico, estamos perante uma obra competente que recorre a vários artifícios para sobressair entre vários títulos semelhantes. Visualmente os graffitis causam impacto, na banda sonora os estilos alternam-se para distinguir duas realidades. Funciona.

Não sendo memorável pelo todo, a sua mensagem decerto passará e algumas das suas imagens assombrarão os sonhos dos espectadores. É um filme que não serve o propósito imediato de entreter, mas um mais distante de consciencializar.

 

AGORA COM SPOILERS

 

É muito difícil falar deste filme sem entrar nos detalhes específicos. O tema é a guerra. Londres sofre uma explosão nuclear e toda a ilha entra num conflito com forças desconhecidas que colocam a ilha em estado de sítio. O exército toma o controlo e impõe a lei marcial.  As pessoas são relocalizadas. As famílias desfeitas. Tudo perde significado e apercebem-se como o valor das coisas é relativo. Daisy como cidadã americana tem uma oportunidade vinda da embaixada para fugir, mas recusa abandonar a família que acabou de conhecer e vai arcar com as consequências da sua decisão, assim como com as responsabilidades da vida adulta que tanto queria, mas para a qual não estava preparada.

A arte do filme reside em fintar o tema da guerra e se focar nas pessoas. É arriscado, pelo que é melhor se o forem ver sem ideias pré-concebidas de ser um filme de guerra pois quanto muito é apocalíptico.

Vários filmes passados na década de quarenta usaram o tema das crianças que eram levadas da cidade para o campo para estarem seguras durante os bombardeamentos. Agora, nem no campo estão seguras. Esse incremento na escala do conflito contra uma inimigo sem rosto os coordenadas dá a este filme uma quantidade generosa de medo que distribui de forma estratégica por diversas situações. No fim, sabemos que o maior problema em qualquer situação catatrófica continuam a ser as pessoas que perdem a humanidade e se tornam em monstros. Mais uma vez, não é um filme que se recorde pelo todo, mas pela mensagem e pelas imagens.

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