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Crítica a “Wolfcop”

el  Sunday, 15 February 2015 18:30 Written by 

Um centésimo polícia. Meio lobisomem. Todo lobipolícia.

Como quase todos os monstros, também os lobisomens já tiveram épocas melhores. Os anos dourados em que sagas inteiras lhes eram dedicadas parecem muito distantes. De momento são apenas figuras secundárias em obras cuja qualidade é muito duvidosa e onde o sangue e as tripas não interessam porque se for classificado como para adultos vende menos. Por isso no mainstream não temos licantropos que despedacem carne viva. E no cinema indie não temos transformações em condições. Falta o meio termo para ter dinheiro suficiente para tirar a besta que se esconde no humano, mas que não precise de vender milhões para recuperar o investimento. Graças a Cthulhu que temos o cinema série B onde a custo zero e com muito amor à arte e ao terror se fazem milagres. Há um determinado conjunto de temáticas que hoje em dia só são levadas a sério se se disfarçarem como série B e forem à procura dos verdadeiros amantes do fantástico. Não os que vêem todos os blockbusters com vampiros, feiticeiros e extraterrestres a 3D, mas os que há uns anos tiravam o pó àquele VHS que o videoclube achava que nunca iria alugar e que agora contribuem para a produção de filmes que nenhum estúdio quer financiar.

No caso de “Wolfcop” estamos perante um filme feito com pouco dinheiro, com os actores que foi possível arranjar, efeitos que fazem lembrar “Teen Wolf” (o filme original, não a série de agora), mas com muito talento escondido. O genérico de abertura não deixa margem para dúvidas. Seja pelas imagens, pela fonte, ou pela música, tudo indica que vai ser um mau filme. Quando surgem as personagens estereótipadas - um polícia bêbedo (filho de um herói local) com uma colega tão profissional que compensa essa nulidade, um maluco das conspirações, uma rapariga gira com um bar, etc - sabemos que não filme assim pode ir a lado nenhum. Quando começam a praticar rituais satânicos é tão mau que faz rir. Tudo isto vai escalando até que, subitamente, reparamos que estamos presos ao filme e estamos a gostar. Os actores pouco conhecidos afinal são perfeitos para as personagens (e por acaso até já tinha visto as actrizes pelo menos duas vezes antes), os efeitos chegam perfeitamente para uma comédia, as opções de câmara são irrepreensíveis. O argumento tem muito de doido, mas, novamente, é uma comédia que quer agradar aos fãs dos série B. Se fosse algo com sentido ficariam desiludidos. Assim dá apenas a ilusão de ser algo sério para logo descambar numa paródia bem pensada. E como é canadiano nem tiveram muito trabalho a encontrar o nome para o protagonista a quem chamaram Lou Garou (Lobisomem em francês é Loup Garou e o ‘p’ é mudo).

Feito com muito profissionalismo, muito amor, alguma classe e seguramente muitos risos, “WolfCop” pode não ser um filme que fique no nosso imaginário ou sequer uma referência do género. O final é apressado e sem graça. Mas deve ser visto pelo menos uma vez para que nos lembremos que o importante às vezes é fazer o filme, mesmo que não se tenha as melhores condições. Se correr bem haverá sempre a possibilidade de fazer um remake com mais orçamento. Se correr mal, ou se desiste do cinema ou se avança para o trabalho seguinte. E no caso de Lowell Dean, seguramente oportunidades não faltaráo.

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