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Crítica a "Bride of the Monster"

el  Tuesday, 21 February 2012 11:00 Written by 

Se não fosse este especial do Fantasporto, quantos de vós teriam a coragem de, por iniciativa própria, ver a filmografia de Ed Wood? Ainda bem que há a possibilidade de ver em cinema não só porque a qualidade técnica é ainda mais hilariante em grande ecrã, mas especialmente porque o consumo de Ed Wood deve ser feito apenas com vigilância pois tem elevado risco de causar riso excessivo.

Em "Bride of the Monster" a população de uma terriola junto ao pântano tem sido vítima de numerosos desaparecimentos. Uma jornalista diz que é um monstro, um especialista diz que é uma criatura pré-histórica, a polícia não sabe o que é. Estes três grupos vão convergir na Herdade do Salgueiro Velho, a única residência na região e que por sorte não foi vítima desse suposto monstro.

Que se desengane quem pensa que isto é mais um filme de Ed Wood. Este foi o único financeiramente viável, apesar de isso não dizer muito pois a produção foi interrompida ao fim de três dias por falta de dinheiro. Claro que nas despesas não incluiram nada que fosse custoso. Por exemplo, o monstro foi roubado a um filme de John Wayne. Esqueceram-se do motor que o controlava. O actor principal tem aqui a sua única experiência séria em cinema porque era filho do produtor. Produtor esse que aprendeu com o erro e nunca mais produziu um filme. Há uma infinidade de histórias assim em cada filme de Wood e por isso é que ele é tão adorado, porque continua a tentar.

Ver um filme destes será para ver como fazer cenários e efeitos especiais low cost, para ver as falhas de continuidade tão abundantes que parecem propositadas, para ver o monstro mortífero menos assustador da história do cinema, para ouvir e ver diálogos e actores tão maus que superam os pesadelos de qualquer um... Em suma, para recordar Bela Lugosi ou para rir. Podem dizer que eram outros tempos e o cinema de então não era igual ao que temos hoje, mas no mesmo ano em que saíram filmes como "Les diaboliques", "The Night of the Hunter" e "East of Eden" já a indústria e o público tinham valores bem definidos. Ed Wood filmava com uma tecnologia do tempo de Méliès, quando o simples facto de ser cinema bastava para seduzir multidões, e se não fosse Lugosi perdido lá pelo meio poderíamos dizer que não tinha actores profissionais. Permitir que um filme destes (e todos os outros) vejam a luz do dia é prova mais do que suficiente para o título de pior realizador do mundo.

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