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Crítica a "Teenage Mutant Ninja Turtles"

el  Tuesday, 28 October 2014 23:30 Written by 

Quem cresceu a ver as Tartarugas Ninja, que atire a primeira pedra.

Fazer um remake, reboot ou como quiserem chamar, é sempre difícil. A comparação com o que já foi feito costuma ser arrasadora. No caso das Tartarugas Ninja as precedências são terríveis. Foi uma série nos anos oitenta, uma trilogia nos noventa, jogos de computador de vários géneros… Nos últimos dez anos tivemos as versões CGI com o filme “TMNT” (2007) e uma série em 2012. Agora, vinha novo filme. As primeiras informações diziam que iam ser extraterrestres. Ofensa impensável. Felizmente eram apenas rumores e estas tartarugas além de Ninjas são Teenage e Mutant como sempre foram e como sempre serão.

Pessoalmente estou fora do público original da série. Demasiado novo quando saíram os filmes, demasiado velho quando a série cá passou. Cheguei a ter uma figura de acção, a fazer uns puzzles e a ver o meu irmão disfarçado de Miguel Ângelo no Carnaval, nada mais do que isso. Recebi a notícia de novo filme com pouco espanto e sem expectativas boas ou más. Uma surpresa inesperada foi o director de fotografia ser Lula Carvalho, colaborador regular de José Padilha. Tanto Jonathan Liebesman  na realização como Brian Tyler na banda sonora eram escolhas bastante adequadas. A equipa de argumentistas podia ter mais currículo. Um detalhe que acabou por sair caro. Voltaremos ao tema brevemente. Em termos de elenco os humanos são suficientemente conhecidos para aguentarem o filme, as tartarugas tinham alguém musculado para envergar o fato e uma voz conhecida para as fazer falar.

A grande diferença deste filme para os anteriores é que nos engana desde o primeiro minuto. A narração de Splinter faz pensar em algo grandioso. Esperam-se combates épicos. Na verdade o filme está centrado em April, o que se explica com as liberdades criativas que tomaram. April é mais do que a Lois Lane do grupo, repórter intrépida que tem a sorte de ser a primeira a deparar-se com as tartarugas e lhes serve de olhos na superfície. Aqui tem uma ligação anterior e um complexo paternal estilo Amazing Spider-Man que a torna na peça fundamental da narrativa. Ao seu lado Will Arnett é o operador de câmara embeiçado que dá algum alívio cómico e nos alerta quando devemos olhar para o traseiro de Megan Fox. Podia ser uma espécie de Casey, optaram por algo mais simples. Quanto aos mutantes, Splinter teve de ser explicado de forma algo inacreditável, só as tartarugas escaparam a alterações profundas. Se há trinta anos os bonecos eram produzidos em cadeia e um molde tinha de dar para todos (Porque acham que a única diferença entre os quatro era na máscara e nas armas? Tanto a cor como os acessórios podiam ser tratados depois da linha de montagem.), hoje em dia isso até pareceria mal. Cada tartaruga é única em fisionomia e adequadamente inspirada no original quanto à mentalidade. Foi um dos pontos fortes do filme, provando que a intenção era boa. No lado do mal a história precisava de mais vilões tradicionais – ninjas, mutantes, etc – e de um Schredder credível.

Há referências à série como a frase “Heroes in a half-shell”, e a vários ícones da cultura pop – desde Star Wars aos X-Men, passando por Batman e “Lost” - tentando abarcar todos os públicos. Infelizmente o expectável verifica-se. Quem estiver a contar com o original ficará desapontado pois tem um único momento cowabunga - quando Miguel Ângelo pega numa espécie de skate - e as armas ninja estão subaproveitadas. Só a pizza foi na quantidade certa com vários e bons momentos dedicados à iguaria. Quem não conhecer as tartarugas ficará agradado com a experiência. Com alguns combates cansativos e uma overdose de adrenalina pelos canais visuais, é uma boa experiência para os fãs do estilo do produtor Michael Bay. Veremos se na sequela não arruínam o pouco que fizeram de bom.

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