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Crítica a "Lupin III"

el  Monday, 27 October 2014 05:00 Written by 

Nova versão de um produto que permanece no nosso imaginário.

Lupin the 3rd foi um fenómeno na animação televisiva no final dos anos setenta. Durante quatro temporadas e cento e cinquenta e cinco episódios, as aventuras de Lupin III - neto do incomparável ladrão Arsene Lupin - e dos seus amigos (ou será melhor dizer associados temporários?) fizeram-no percorrer o mundo em busca dos mais variados tesouros. Atrás dele estava sempre o implacável Inspector Zenigata. A criação mais famosa de Monkey Punch nunca saiu do imaginário japonês, fosse com sucessivas publicações da manga, séries televisivas, jogos de computador, o filme de Hayao Miyazaki ou muitas outras adaptações. E isso não pára. Para o ano terá uma nova série de animação. Mas 2014 foi um ano chave com um filme em imagem real a ser vendido para países a todo o mundo.
Na Europa a sua exibição foi, como seria de esperar, em Sitges onde ficou quase para o final do programa. O público sabia ao que ia e tinha expectativas muito específicas para o que queria ver. No geral, foram cumpridas. O elenco tinha o grau adequado de estrelas. Lupin era Shun Oguri, voz frequente em animes (foi o Capitão Harlock no filme homónimo do ano passado) e actor de “Crows Zero”, “Sukiyaki Western Django”. Goemon, o mestre da lâmina, foi interpretado por Gô Ayano, uma das jovens promessas do cinema com propensão para as artes marciais. Fujiko Mine ficou entregue à actriz/modelo/cantora Meisa Kuroki. Não havia razões de queixa.
Para quem não estiver familiarizado com Lupin III, é tudo contado de forna autónoma do que para trás se passou. Para ver o filme basta ver o filme. Se bem que conhecer os antecedentes tornará tudo mais divertido devido às inúmeras referências que aparecem, desde as versões animadas dos heróis, até cenas da série que foram replicadas ao detalhe.
A trama principal aqui anda em torno de uma joia de Cleópatra que está metade na posse do círculo de ladrões e metade na posse de um colecionador privado que tão honesto como eles. Como todos querem deter a peça inteira, entram num grande conflito, agravado por vinganças pessoais entre gerações. O jogo do rato e o gato em que todos se acham o gato vai ser internacional, com golpes em todo o Sudeste Asiático, o que nos complica o visionamento por falarem numa enorme variedade de idiomas, em que o único perceptível é maltratado de tal forma que precisamos sempre de legendas. No entanto isso não prejudica em nada o filme que avança a bom ritmo, tendo uma única quebra significativa em toda a narrativa. No resto da duração é um suceder frenético de explosões, roubos, combates de vários tipos e um ou outro enorme disparate que descredibilizaria um filme sério. Felizmente “Lupin the 3rd” nunca quer ser sério e por isso pode-se dar ao luxo de reaproveitar velhos gags para criar um filme previsível, mas que pela simpatia da equipa – seja acabada de conhecer ou reencontrada – até se vê com gosto. Façam com que essa sessão seja memorável pois a duração não o colocará na lista de filmes a repetir.

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