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Crítica a "Cold in July"

el  Saturday, 11 October 2014 20:45 Written by 

Jim Mickle continua a surpreender.

O novo filme do realizador Jim Mickle (dos competentes “Stake Land” e “We Are What We Are”), baseado no livro de Joe R. Lansdale (do enorme “Bubba Ho-Tep”), é um western dos tempos modernos. Começa por ser uma história de vingança, para logo mudar para uma missão bastante mais complexa, como se tivesse dois filmes num. Não sendo um filme do fantástico, está lá próximo pois há intriga, acção, violência gratuita e muito sangue. Quanto ao monstro, mais uma vez é bem humano e capaz de enorme atrocidades.

Richard Dane é um homem pacato que tem o seu próprio negócio, uma loja de molduras. Não sendo pessoa para se meter em confusões, quando é obrigado a defender o seu lar de um invasor, vai sentir um grande nervosismo, mas consegue superar o desafio. O pior é o que se segue. Como sabemos em casa roubada, trancas à porta, mas o que se segue são noites sem dormir, uma polícia com poucas respostas, ser perseguido por um inimigo inesperado e temível com algo de louco… Richard terá de se transformar para proteger os seus e sair incólume deste desafio.

Michael C. Hall será invariavelmente associado ao seu icónico Dexter. Em "Cold in July" conseguiu encontrar o papel certo. Não foi só o visual que mudou com o novo bigode. Por um lado tem alguns momentos de obsessivo-compulsivo com as limpezas que recordaremos do célebre papel, mas por outro é um homem frágil e muito medroso, algo que não o imaginariamos. Podem tentar associá-lo à série, mas ele tem uma nova personagem que merece respeito. Ao seu lado está um igualmente surpreendente Sam Shepard como o mau da fita, e ainda há oportunidade para nos rirmos com Don Johnson. Este trio muda o rumo do filme tão depressa e de forma tão imperceptível que nunca se sabe o que estamos a ver. Primeiro é Hall com o drama. Depois Shepard traz o thriller. Digamos que isso é apenas o primeiro acto. E finalmente Johnson traz a comédia. O que vem depois disso é um pouco de tudo numa mistura de estilos improvável, mas que, para nossa surpresa, funciona. A única referência semelhante no cinema recente será “Killer Joe” de Friedkin que também passou por Sitges há uns anos.

Tendo arrebatado o troféu de melhor realizador numa das secções secundárias do festival, “Cold in July” não foi aclamado, mas também não desiludiu. A sua força está nas personagens soberbamente interpretadas, mas os cinco anos que o realizador trabalhou no filme notam-se noutras coisas. O significado do sono (e da falta dele) que dispensa explicações. Os pontos por resolver da história, constantemente substituídos por questões mais importantes. E no final, a questão que foi lida no cartaz ganha um novo significado: “quantas pessoas pode uma bala matar?”. Ao tirarmos uma vida, quantas outras estamos a destruir?

Cold in July” é sobre encontrar respostas, sobre corrigir o mal feito, e sobre os efeitos secundários da adrenalina que nos leva a correr riscos inúteis para sentir que estamos a viver a vida. Não sendo um filme brilhante, tem o que é preciso para se tornar uma referência com os anos. Vamos esperar para ver se o tempo me dará razão.

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