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Crítica a "Ringu 2"

el  Thursday, 28 June 2012 23:30 Written by 

No final dos anos 90, numa época em que terror já vira melhores dias, uma cassete VHS e uma rapariguinha despenteada foi tudo quanto bastou. “Ringu”, tinha apresentado ao mundo o “onryo”, ou o espírito que retorna ao mundo dos vivos para se vingar das ofensas cometidas contra si em vida.

Felizmente, (ou infelizmente, se não forem fãs da saga), o estúdio que produziu a adaptação do livro de Koji Suzuki foi visionário e, antecipando o sucesso de bilheteira, decidiu realizar “Ringu” e a sequela “Rasen”, em simultâneo. Enquanto “Ringu” aterrorizou audiências pela Ásia fora, “Rasen”, alienou-as e o estúdio apressou-se a lançar “Ringu 2”, como “sequela oficial” (já agora, excelente manobra de marketing), para apaziguar as massas. Enquanto “Ringu” é, todo ele mistério sobrenatural, “Rasen” dedica-se a atar todas as pontas soltas e atribuir-lhes uma explicação científica. A “Ringu 2” foi atribuído o papel de argamassa que liga tudo o que já foi apresentado em tela, numa perspectiva ingénua de agradar a gregos e troianos. “Rasen”, tornou-se então o filme esquecido, um fenómeno de culto criando um paralelismo fantástico com a dita “cassete que a mata quem a vê dentro de 7 dias”, do filme. Não temeis que dentro em breve abordaremos também “Rasen”, ou a sequela perdida…

“Ringu 2” é pois um bom exemplar dos casos extremos da síndrome de “sequelite aguda”. Hideo Nakata regressou à cadeira de realizador que lhe pertencia por direito assim como o argumentista e os actores do filme original. A repórter Reiko Asakawa (Nanako Matsushima) passou por muito depois de sofrer a maldição da cassete e afasta-se de tudo o que possa aproximar o seu filho Yoichi (Rikiya Otaka), de novo do mal. Desta feita, Mai Takano (Miki Nakatani), antiga aluna e apaixonada de Ryuji Takayama (Hiroyuki Sanada), o ex-marido da jornalista, procura compreender o que sucedeu ao seu querido professor. Em paralelo, Okazaki (Yurei Yanagi), um colega da jornalista decide retomar que esta deixou a meio, desvalorizando o mito e as revelações por ela desvendadas. O “trio” de investigadores é concluído pela polícia que, eventualmente ia ter de começar a contar os cadáveres.

A maior conclusão a retirar do primeiro filme é que o melhor é deixar tais assuntos misteriosos em paz. Há uma fonte inesgotável de filmes, nos quais um curioso faz o que não deve, contra todos os conselhos e indicações e liberta um mal devastador no mundo. Pois, quando esta acção-chave sucede, o argumento de “Ringu 2” dispara em todas as direcções: a investigação de Mai, a intervenção policial, a reportagem do colega de Reiko, fenómenos sobrenaturais seguidos de considerações científicas, possessão, capacidades mediónicas… Por isso, nunca, até ao final, se sabe onde “Ringu 2” irá parar. O filme perde tanto tempo em diálogos para se tentar atribuir uma explicação para o medo que se esquece do que o provocou para começar. Quase não existe cassete amaldiçoada nem adolescentes com pouco que fazer do que entreterem-se a ver filmes que diz que “matam quem os vê”. É Mai, a falar, a sonhar, a falar um pouco mais, a ficar impressionada com o que se está a passar ao seu redor, a falar um bom bocado mais e a continuar sem compreender o que se passa. Miki é um erro de casting. Ela era inofensiva quando servia de personagem secundária com dois minutos de ecrã mas uma heroína irritante para 95 minutos de filme. Ela não emula a Reiko, vulnerável na sua condição de espetadora de uma situação que lhe está a escapar ao controlo e, forte no que toca à proteção do seu filho Yoichi. Não. Ela é uma aluna apaixonada sem muito que fazer que se torna uma perseguidora de uma mãe e filho já suficientemente traumatizados com os acontecimentos do filme anterior. Ao invés de se dedicar aos estudos e passar à paixonite seguinte ela imiscui-se na vida de quem não deve. Isto, numa interpretação tão aborrecida e desinteressada que, quem olhe para ela, terá dificuldade em controlar os espasmos para atacar a televisão de cada vez que há um acontecimento importante e a reacção da actriz se assemelha à de um vegetal.

Há demasiadas ideias, demasiados actores e demasiados maus actores. Depois, a Reiko e o Ryuji do primeiro “Ringu” sofrem uma transformação de personalidade ou têm uma intervenção quase anulada devido ao pouco tempo que o guião lhes atribui. A cassete é onde se encontra a menor das atenções do argumentista. Sim, a cassete com a premissa original “morres em 7 dias”. “Ringu 2” até melhora em termos visuais face ao filme original mas é muito pouco. É ainda irónico que, aquela que pode ser apontada como a principal fraqueza de “Ringu 2”, a explicação do fenómeno, seja o que era criticado em “Ringu”, a ausência de explicação científica. “Ringu 2” nem sequer almeja alcançar o sentimento atemorizante da obra que o inspirou: é de momentos, dois no máximo. Acaba por redundar numa total ausência de impacto como, o facto de, meia hora depois de o termos visto, já termos esquecido metade…

Realização: Hideo Nakata
Argumento: Hiroshi Takahashi e Koji Suzuki
Miki Nakatani como Mai
Hitomi Sato como Masami Kurahashi
Kyoko Fukada como Kanae Sawaguchi
Yurei Yanagi como Okazaki
Nanako Matsushima como Reiko Asakawa
Hiroyuki Sanada como Ryuji
Rikiya Otaka como Yoshi

 

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